Vibe coding leva até o MVP. Produção ainda é engenharia.

Ontem um cliente que atendo há anos me chamou: "Matheus, criei um sisteminha aqui, consegue subir pra produção pra mim?"
Achei sensacional, porque ele não é da área de tecnologia e mesmo assim montou uma aplicação inteira sozinho, usando IA. Há dois anos isso era praticamente impensável.
Respondi que subia numa boa e pedi os arquivos só pra dar uma olhada antes de mandar pro servidor.
Aí a conversa mudou de figura.
O que encontrei no projeto
Quando abri o projeto, não era um sistema pronto. Era um MVP. Funcionava? Funcionava. Mas o backend inteiro estava num único arquivo de quase 400 linhas, sem um teste sequer, sem Docker, com o banco se criando sozinho e sem nenhuma das proteções básicas que qualquer coisa exposta na internet precisa ter. O frontend, mesma história: um arquivo só, com tudo misturado.
E não tô contando isso pra tirar sarro dele. Muito pelo contrário. O cara resolveu um problema real com as próprias mãos, e foi a IA que deu esse poder pra ele. Acho isso o máximo.
Mas foi ali que caiu a ficha do que mudou no nosso trabalho.
Vibe coding vs. engenharia de software
Tem até nome pra isso agora: vibe coding. Você descreve o que quer e a IA vai construindo. É poderoso demais, de verdade. Mas o "vibe" te leva até o protótipo. Botar em produção ainda é engenharia.
A IA deixou barato e rápido gerar código que funciona. Só que "funciona aqui na minha máquina" e "tá pronto pra rodar em produção, com usuário real, dados de verdade e gente tentando quebrar" são coisas bem diferentes.
E essa distância entre o MVP e o produto? É a engenharia de software:
- Segurança — proteções básicas contra exposição na internet
- Arquitetura — separação de responsabilidades, não tudo num arquivo só
- Testes — confiança de que mudanças não quebram o que já funciona
- Deploy — Docker, pipelines, ambiente reproduzível
- Monitoramento — saber quando algo cai antes do usuário reclamar
Onde o trabalho do engenheiro começa
No fim, a IA não tirou o nosso trabalho. Ela só deixou mais claro onde ele começa.
IA gera o código. Engenharia constrói o sistema.
E você, já pegou um projeto pra "só subir" e descobriu que precisava de bem mais que isso? Me conta aí — quero saber se é só comigo.

